Estive na fazenda nos últimos dias, tentando reorganizar os trabalhos. Agora que o período mais intenso de trabalho terminou, estamos focando nas cercas que ainda faltam ser consertadas; nos aceiros (uma faixa de clareira contínua junto aos limites da fazenda para evitar que algum fogo de fora se alastre para dentro da fazenda) antes que cheguem as queimadas ... Mas tive que manter dois homens dos 10 que irão parar, construindo o galinheiro e para continuarem aspergindo os abacaxis com os extratos que estamos fabricando lá mesmo para resistirmos à fusariose.
Me reuni com Seu Anisio e os trabalhadores, com a assessoria de Luis Carlos, um jovem advogado amigo. Estamos finalmente formalizando as relações de trabalho com o pessoal. É justo, mas caríssimo. Dói pagar um INSS tão caro, sabendo que quem precisa desse serviço e dessa garantia social dificilmente terá um bom atendimento quando recorrer ao mesmo...
A maioria dos trabalhadores não entende porque quero fazer isso. Preferem trabalhar na diária. Esse universo dos benefícios sociais está distante deles. Deles todos, só um já teve carteira assinada há 20 anos atrás! Foi-lhes passado que quando se assina a carteira se dificulta a aposentadoria pelo sindicato! Imagine! Muito útil essa crença para os patrões... Mas dentro do nosso projeto precisamos estar com isso tudo em dia, tanto pelo selo de orgânico como pela coerência do que estamos propondo: promover o bem estar social através de relações de trabalho e comércio justas, em especial com a vizinhança.
Ficou acertado que Zé da Alda e Chico serão empregados com carteira assinada, e os outros terão contratos temporários nos períodos de mais trabalho. O Luís Carlos fez um excelente trabalho, me fornecendo modelos para diversas situações onde entro nesse tipo de relação com os trabalhadores.
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