sábado, 8 de novembro de 2008





A seca, o vento, o fogo, a cajuína

Nestes meses terríveis de seca, o vento bate forte na região... Já tinha ouvido algumas lindas músicas de Roraima em homenagem ao vento que varre a cidade de Teresina, e já tinha me encantado com a ventania incessante nos apartamentos altos do bairro da ilhotas. O que mainda resta de "estrutural-funcionalista" nessa mente velha já tinha até começado a buscar alguma ordem dentro do sistema ecológico, alguma sutil e sublime sabedoria que refresca a alma do homem do sertão justo-quando-ele-mais-precisa...

Mas pra falar a verdade, no ano passado, quando morava sozinha com seu Anísio na Buriti Doce, percebi o vento como uma força da natureza tão presente e terrível como o mar de Saquarema em minha meninice. Eu olhava, através da janela do carro em minhas constantes viagens para dar aulas em Caxias, para aquele chão tórrido das áreas devastadas ao longo da estrada, e me lembrava das imagens feias da região no Google maps... terra nua, tudo torrado, pela prática das queimadas locais. Tudo queimado, nu, incinerado como um cinzeiro velho.

E o vento? O sol esturrica o chão quente que desloca o ar para cima. Eolo se inflama com aquele calor todo, se infla, estoura com a pressão que acumula. Aponta de volta para a terra e para os míseros e mínimos homens a produzir tanta quentura, a lutar para apagar o fogo das roças vizinhas que se espalha bandido pela mata que tentamos preservar. Aponta e sopra de volta com força, arrastando as labaredas por entre os galhos finos e esquálidos, castigando as plantas que "hibernam", vegetando com o mínimo de energia gasta possível, a espera da primeira gota de chuva que beberão sequiosas... O fogo resseca mais ainda o solo esturricado pelo sol.

O vento, nessa época do ano, é o general das forças inimigas daqueles que lutam contra os incêndios fujões. Na queimada bandida que levamos 5 dias para apagar na Buriti Doce em setembro de 2007, era com o vento que os homens pelejavam. Apagavam as chamas, e o vento as reaviva, impiedoso. Não adiantava lutar contra ele das 10 às 16 horas do dia. Nessas horas, a terra esturricada pelo sol, atiçava o vento, que atiçava as labaredas do fogo inimigo.

Apenas às 4 da tarde era que ele parecia se amenizar, e os homens - meus empregados e voluntários vizinhos que largavam seus afazeres por essa hora do dia para virem, silenciosos, colaborar conosco - conseguiam abafar as chamas com grandes folhas de babaçu. Trabalhavam calados, em duplas. O velho Anísio, grande guerreiro, orientando-os, mandando algumas duplas atacarem por um lado enquanto outras cercavam aquele foco de incêndio pelo outro lado. Em algumas situações, até acendiam um contra-fogo que era sugado pelas labaredas maiores e atraído em sua direção justamente por essa força do vácuo que o fogo cria na medida em que o calor se desloca para cima. As chamas do contrafogo correndo na direção do incêndio principal, dava cabo da vegetação no percurso que alimentaria o fogo principal, estrangulando-o com esperteza.

Vento, diga por favor... aonde se escondeu o me amor...



Eu chorei muito. Aliás, desde que vim apra essa terra - ou até antes, quando comecei a me envolver com o Piauí - 'o que mais tenho feito. Virei uma chorona! Mas chorei muito ao ver esse incêndio de cinco dias lamber a área onde havíamos plantado tantos cedros, ipês, angicos... Foram dois anos e meio plantando árvores, para um babaca que arrenda as terras vizinhas às minhas para colocar o gado de terceiros pôr fogo para "renovar a pastagem". Não dá nem para começar a avaliar o prejuízo. Muitas das árvores sobreviveram, mas nunca saberemos quantas morrerão. Sei exatamente quantas foram plantadas naquel área... mais de 4 mil!

Subi na igrejinha em cima do morro, e de lá via a fumaça. Confesso que chorei, e muuuuuito. Nesse momento eu pensei na dureza que tem sido esse afastamento de todos a quem amo tanto, meus filhos, netos, mãe doente, avó velhinha... Essa sensação de estar sendo esnobada pelas pessoas que conhecia em Teresina e que eram tão hospitaleiras antes de eu me mudar pra cá! A pele que se resseca e enruga tão ligeiro nesse clima. Foi duro encarar esse incêndio.

Depois um aluno meu da faculdade de istória em Caxias, policial, veio com um companheiro investigar o crime. Fomos visitar alguns caçadores e criadores vizinhos. Eu morando sozinha na Buriti Doce, dormindo só à noite, e tendo que peitar esses cabras machos. Tudo muito educadinho, gentil, delicadinha. Mas avisando que ia avaliar o tamanho do meu prejuízo e que se acontecesse de novo ia partir pra processo e tudo o mais.

Enfim, isso foi ano passado. Agora, os cajus estão lindos, pelo Piauí todo. Ganhamos um edital para estudar a cajuína, e como o contrato foi fechado em plena safra, tive que sair desabalada, filmando enquanto ainda havia cajuína sendo feita. Foi um mês de trabalho intenso, e muitas descobertas da beleza do capricho cristalino da alma cuidadosa dos piauienses... Bem bacana... só que o tempo que eu tinha para contar essa história, gastei ao telefone com minha filhota agora! Vai ter que ficar para depois.

domingo, 5 de outubro de 2008

BIOCHAR - ENFIM CHEGOU A HORA

O ritmo do blog é lento... uma vez por mês! mas vamos tentar manter ao menos isso! Afinal, estou em uma das fases mais ativas (ainda) dos últimos tempos, com o início das atividades na federal do Piauí e com a pesquisa sobre a cajuína que se iniciou esta semana, para o IPHAN! Além disso, estive em Axixá, no Maranhão, para concluir a compra de 3,6 toneladas de óleo de andiroba para ser vendido para a Aveda, nos EUA. Mais uma vez foi um sucesso. A mulherada em Axixá está animada, e têm conseguido diminuir a depredaçào das matas de andiroba na região. Mas voltando à fazenda...

Durante o mês de outubro, estaremos preparando um experimento com a introução de biochar ao solo. O que é o Biochar? É carvão vegetal usado como insumo agrícola. O estudo do biochar nasceu da observaçào da Terra-Preta-de-Índio, identificada em diversos pontos da Amazônia brasileira nas decadas de 20 e 30. A TP consiste em uma mistura de resíduos de carvão, restos de peixe e pedaços cerâmica antigos, indicando ter sido o loco de aldeias abandonadas. Essa Terra Preta apresenta qualidades impressionantes de fertilidade e troca catiônica, chegado a se expandir 1 centimetro por ano. Isso significa que uma camada de 20m cms de TP retirada de um determindo lugar, se recompões em 20 anos!

Descobri uma corrente de estudiosos do solo na internet, que se organizam em rede para promover sua utlização tanto para o melhoramento do solo quanto como uma espécie de panacéia geral para os problemas de mudança climática... Existem diferentes listas de discussão como a IBI (um grupo um tanto excessivamente loquaz... mas muito boa informaçào surge daí). Os principais pesquisadores acadêmicos são Johannes Lehmann (Cornell) e Cristopher Steiner (alemão mas acredioto que em uma universidade holandesa?). Os livros publicados o ano passado e anterior sào caríssimos (US$ 150,00), mas muito bem feitos.

O Dr Lehamnn tem mais um livro no forno, pronto para ser publicado, e me pediu uma pequena colaboração para descrever o método de "queimada de toco vivo" que utilizamos, e essa colaboração resultará em um box neste novo livro.

Quando estavamos nos preparando para abrir uma área de 15 hectares para o plantio do urucum, meu técnico sugeiru que usássemos o fogo. Eu reagi, pois isso feria completmente meus preceitos agro-ecológicos e inclusive, os padrões de certificaçào do IBD. Mas Ronaldo insistiu bastante e eu acabei por prestar atenção e finalmente por concordar com o experimento. Uma área de aproximadamente 9 hectares foi aberta desta forma, enquanto7 hectares foram derrubados mas não queimados. Convidamos lideranças locais de assentamentos e vizinhos para assistir ao trabalho para replicar a tecnologia. Uma equipe da Brigada do Fogo do IBAMA acompanhou os trabalhos desde a etapa do planejamento. Essas reuniões de planejamento ajudaram a determinar medidas de segurança que previnissem o fogo de se espalhar para outras áreas: queimar apenas a partir das 4 horas; queimar por etapas menores, todas aceiradas individualmente; nunca queimar sozinhos, mas sempre em grupo; contar com o equipamento de abafar o fogo usado pelo IBAMA (abafadores com largas pás de borracha na ponta).

Resumidamente, ao invés de aceirar (limpar um cordão de segurnça no entorno da área) e queimar apenas, nos aceiramos, depois escolhemos as principais árvores que queríamos manter, e ao efetuar a derrubada, permitimos um broto em cada uma destas, aceirando em seu entorno para protege-la do fogo. Além disso (aí é que está a maior diferença), retiramos toda a madeira que poderia ser utilizada posteriormente em pequenas construções rurais, e tamém retiramos toda a madeira que poderia ser usada para a preparaçào de carvão. Isso foi um processo caro que não é facilmente replicado pelos agricultores familiares da região pois envolve um custo inicial em diárias maior. No entanto, conseguimos demonstrar que - a preços locais - o carvão produzido teria pago o valor gasto nessas diárias extras, tranquilamente, e superado-o se tivessemos vendido fora da época das queimadas, obtendo um preço maior. Assim, ao invés de slash-and-burn, a operação se trasnformou em slash-and-char. Eu acabei com uma quantidade de uns 700 msacos de carvão vegetal estocados que, a princípio, pensei que vederia para me ajudar a minimizar os custos da operação.

Os trabalhadores tradicionais (haviam 4 famílias parceiras nesta terra, fazendo seus próprios roçados de milho, arroz e feijão, mas que cuidariam dos meus pés de urucum nas respectivas áreas plantadas por eles) criticaram nosso método, considerando-o muito dispendioso. Eles teriam queimado tudo e depois separado as amdeiras que poderiam ser aproveitadas para caeiras de carvão. Os dois contratados para formar as caeiras eram os mais críticos, torcendo o nariz para a novata aqui, tentando fazer a soma nos dedos... Mas como mantemos o controle contábil das diárias investidas, pudemos de fato mostrar que apenas com o dinheiro angariado com o carvão teríamos pago todo o serviço da broca. Para terminar de provar isso, pude mensurar uma área pequna que não tivemos tempo para limpar da forma planejada, que acabou envolvendo muitas diárias de coivara, um serviço que queima de resíduos posterior à queimada, que se mostrou bastante caro também.

Desta forma, o investimento no preparo do solo foi bem menor para mim, com a parceria com as quatro famílias (que se animaram bastante com o trabalho, tiveram uma boa safra e passaram por um processo de aprendizado) e a queimada controlada, mas houve alguns benefícios ambientais também. O fato de termos tirado tanta madeira da área, fez com que o fogo fosse bem menos lesivo à vida nativa do solo, para começar. As árvores preservadas rebrotarão com uma rapidez relativamente alta nas novas condições. Se eu tivesse usado um trator de esteira ou grade, por exemplo, teria revirado o solo de uma forma que acho menos "respeitosa", destruindo a frágil estrutura que existe. Teria, também, tido que utilizar insumos quimicos que não são aceitos pela certificação orgânica.

Agora, o pulo do gato foi a descoberta dessa linha de pesquisa do biochar. Enquanto eu "segurava" o carvão estocado, fui lendo sobre as vantagens da utilização do mesmo no solo. O carvão parece ser o ingrediente principal da Terra Preta de Índio, pois sua estrutura física altamente porosa proporciona uma "morada" para as multidões de fungos e bactérias que compões a vida nativa do solo. Se adicionado diretamente à tera, por exemplo, ele "convida" essa vida nativa a ocupar seus milhões de poros confortáveis e aconchegantes, e promove, incialmente, o efeito inverso pois "retira" os serezinhos da atividade de liberar sais minerais apra as plantas locais. Mas se adicionamos o carvào "junto"com altas doses de N como compostos, esterco, etc, já o aplicamos "carregado" e, portanto, pronto para promover o festejo dos bichinhos no solo.

Os experimentos efetuados entre o Dr Steiner, o Dr.Lehmann e nossos engenheiros da EMBRAPA de Manaus, registraram o estonteante aumento de produtividade de 880% por cento no sorgo que recebeu a adiçào do carvão JUNTO COM NPK. Nós, que não podemos utilizar este adubo químico em nossas terras orgânicas, estaremos adicionando um composto feito a partir de palha de arroz e esterco de gado, regado com urina de vaca; outros quadros experimentais receberam um pouco de fosfato natural de rocha, e estou agora fazendo uma tentativa de trazer cabeças de sardinha do litora de ICATU para cá para adicionar a alguns lotes experimentais.

Assim, nesta etapa, meus dois homens (tiv eque dispensar um bocado de gente recentemente por falta de grana!) terminam de fazer a cerca que falatava na fazenda, enquanto nós juntamos montes de estrume, palha de arroz, e carvão que está sendo pilado, para nos prepararmos para adicionar ao solo de nossa roça de toco, antes mesmo de roçar o mato que crescu durante a seca. estaremos efetuando o experimento em duas áreas diferentes: na "minha", uma área grande, de forma intuitiva. Na área "da embrapa", onde dois engenheiors estào promovendo um experimento específico, com um grande controle de amostras do solo etc.

domingo, 7 de setembro de 2008

O Galinheiro: Sistema Alternativo de Criação de Aves Caipira

Não tenho mantido a disciplina que me propus, para alimentar esse blog. Preciso melhorar isso. Mas tem sido tanto trabalho, que já me peguei repetindo inúmeras vezes o bordão de que "ser fazendeira envolve muita burocracia". Quando repito uma frase cinco ou seis vezes, paro para repensar um pouco, percebendo que algo maturou e que está na hora de evoluir à próxima etapa.

Mas a verdade é que outras novidades aconteceram. Saiu minha bolsa de pesquisa do CNPq, e isso me aproxima da UFPI, onde estarei dando aulas. Isso também envolve um bocado de burocracia, na fase atual, em que tenho que me desligar da UEMA onde dei aulas de antropologia no último ano e meio... Vai ser toda uma nova etapa na minha vida! Um passo mais próximo do objetivo que estabeleci para mim mesma há uns dez anos atrás, sentada à janela de minha querida comadre Cotinha, olhando para as belas copas outonais do Central Park em Nova Iorque: ser professora universitária "quando crescesse". Apesar do dinheiro ser bem pouco, nunca um novo emprego foi tão carinhosamente recebido por essa mulher aqui!

Mas voltando à fazenda: inauguramos nosso aviário. Construímos em uma área vizinha à minha casa, onde havia uma tapera (casa caída), sombreada por cajueiros e que já tinha um cercado. Foi um mês de trabalho de dois homens, seguindo o desenho do Firmino Barbosa, engenheiro da Embrapa Meio Norte, que tem desenvolvido esse modelo de criação racional de galinhas caipiras (SACAC: Sistema Alternativo de Criação de Aves Caipiras). Nesse sistema, tudo
e desenhado para o agricultor familiar, sem grandes despesas e utilizando o máximo de insumos locais. Merece um prêmio o Dr Firmino, que com o seu eterno bom-humor de Pernambucano radicado em Teresina gosta de ser chamado de "Firmino Galinha". Conheci-o pela televisão, e fui atrás. Ele prontamente se ofereceu para me orientar. Aliás, a Embrapa Meio Norte tem sido uma fonte maravilhosa de informação e assistência. Todos lá são simpáticos às minhas intenções agro-ecológicas.

O sistema de Firmino se propõe a fornecer frangos caipiras de 1,8 a 2 kg em 120 dias, em contraste com as granjas convencionais que fornecem frangos deste tamanho em 45 dias. Mas os frangos caipiras serão alimentados com rações produzidas quase que totalmente na área, sem os concentrados misteriosos e hormônios industrializados... e - espero - morrem menos por serem aves nativas, de raças mais resistentes. Aliás, foram quatro as raças cuidadosamente selecionadas por Firmino. Ele está me fornecendo a "Nordestina" (as outras são Teresina, Graúna Azul, e Bejeiro). Nós seremos criadores da Nordestina/Buriti Doce. Esta tem boa postura e crescimento. Por enquanto já recebemos 33 pintinho s e perdemos apenas unzinho... A idéia é ir pegando uns 20 por semana na Embrapa, até completar os quadros.

O aviário é construído de forma que possamos acomodar pintinhos de idades diferentes, cada qual com o seu recinto e um piquete próprio à suas idade. Desta forma, os pintinhos de 7 a 30 dias tem um piquetezinho de 1 metro quadrado, os de 30 a 60 dias ciscam em um piquete de uns 10 metros quadrados, os frangos de 60 a 120 dias têm uma área bem maior para ciscar, debaixo dos cajueiros e pegando sol, e as matrizes poedeiras e chocas com seus garbosos e valentes galos (um galo para cada 12 poedeiras) terão a sua área própria também. Mas todos ciscam, todos andam soltos de dia por estes piquetes que Firmino recomenda sejam trasnformados em pomares, embora tenham sua vida familiar profundamente alterada, vivendo longe das mães protetoras e acolhedoras...

Isso ao arrepio de Seu Anísio, que sempre amou a "criação", mas livre e solta pelo quintal. Temos tido que negociar carinhosamente com o meu querido velho. De inicio ele dizia que não iria cuidar do galinheiro de jeito nenhum (transpareceu, por trás da recusa, alguma experiência pretérita pela qual o patrão desconfiou de sua honestidade por conta da morte de frangos). Agora já está, como todos nós, apaixonado pelos bichinhos que, quando chegam, ficam durante alguns dias no "jacá berçário" em sua casa, antes de serem transferidos para o aviário.

Além disso, para não aborrecer ao meu mestre, as galinhas de terreiro continuam em torno das casas, a alegrar o dia. Não podemos imaginar o universo de Anísio sem suas aves no entorno da casa, sem as rotinas que o mantém tão saudável (acordar e chamar os bichinhos, alimentar, cuidar, conhecer um por um, se divertir com os casos lúdicos e políticos diários e peripécias nas relações entre perus e capotes). Ontem fiquei meio emocionada ao ver como nossa criação de terreiro tradicional prosperou, em comparação ao terrível ano passado (o ano que saturno fez quadratura com tudo que havia no meu mapa - tudo foi difícil, nem os pintos escaparam!). As raposas comiam tudo o que havia: pintos, capotes, peruzinhos.... Este ano temos 10 capotinhos andando juntos pelo terreiro, já rapazes, 4 peruzinhos já grandinhos , e todas as galinhas estão prosas andando pelo terreiro com seus pintinhos (um delas tirou quinze!).

Compramos uma forrageira e estou colecionando os elementos para fazermos nossa própria ração orgânica. O Firmino é um profundo estudioso dessa questão, e inclui elementos como folhas de mandioca e a torta do buriti em suas receitas. Essa será a parte mais interessante de todas, acho. Quero ser auto-suficiente nessa área!

Agora, não vamos nos esquecer de que um dos principais motivos para criar galinhas é a obtenção do estrume para alimentar nosso sistema agrícola, hein? A palha de arroz que fica no chão do galinheiro depois será adicionada, junto com o estrume, à mistura de carvão e composto que será adicionada ao plantio de abacaxi e urucum.

Escrevo sobre isso na próxima.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Por que o buriti? 2


O buriti sempre me impressionou, durante as longas viagens de canoa pela amazônia ou pelo interior do nordeste, pelo porte majestoso, pela altura, pelo colorido espantoso dos frutos... Mas também existe alguma coisa de íntima na forma como as folha secas se acumulam em torno do tronco, sob a copa viva: pendões antigos, tranqüilos... É como a majestade de uma mulher velha, que retem sua feminilidade, sua força de rainha... E também há a relação de proximidade e dependência com a água, elemento que forjou a minha identidade de menina... eu "era" a água, diante dos oceanos das praias cariocas, dos riachos e cachoeiras cristalinas e frias da mata atlântica do meu Estado... As nuvens carinhosas que abraçavam os cumes das montanhas rochosas da Serra dos Órgãos eram finas e meigas como a minha sensibilidade e a chuva torrencial eram as minhas emoções fortes. Eu "era" a água, enquanto descobria quem era nessa terra de meu Deus!!!

Enfim... a palmeira do buriti existe onde existe água: brejo e rios. Também é chamada de miriti, e se espalhava por todo o país. É impressionante como predomina como nome de lugares (toponímia) no mapa não só do nordeste, mas de todo o Brasil: Buriti dos Lopes, Buriti de Sangue, canto do Buriti, Buriti Grande, São João de Meriti, etc., etc. Na Amazônia, está presente em todo "Igarapé preto" pois suas raízes tingem de preto e de vermelho profundo as águas onde moram. E os entendidos da região sempre sabem que onde há águas escuras estas são mais frescas e mais limpas do que as águas barrentas do resto dos rios. A pergunta que faço hoje em dia é: será que o biriti existe onde há água, ou há água onde há o buriti? Será que seu sistema radicular também ajuda a proteger os manaciais de alguma forma especial?

Tive o privilégio de acompanhar uma equipe de biólogos em uma longa viagem pelo entorno dos lençóis maranhenses, e colhi diversas entrevistas que indicavam que os buritis foram manejados, plantados por famílias que habitavam a região desde a seca cearense de 1912... usaram este dado como indicador de datação de presença humana para garantir a permanência destas família na terra durante a demarcação do Parque Nacional dos Lençóis. Casinhas totalmente feitas de talos e palha dessa palmeira... Um artesanato tradicional belíssimo que o SEBRAE agora se empenha diligentemente em "modernizar", transformando em atividade comercial... Da forma como se fazem os laudos antropológicos, o testemunho, a história levantada através dos depoimentos, servem como prova. Mas seja a distribuição do Buriti por todo país antropogênica ou não, temos essa palmeira rainha por todos os grotões brasileiros...

Agora... esses frutos possuem uma camada fina de mesocarpo (polpa) que a população local raspa em agradáveis mutirões de muita conversa, nos meses de chuva... essa polpa possui o mais alto conteúdo de pró-vitamina A encontrado na natureza(18.339 microgramas de retinol por 100 gr de óleo). Também é muito rico em vitamina E, C, B1, B2 e PP antioxidantes, etc. Seus ácidos graxos tem alto teor de ácidos oleicos e insaturados, tocoferóis e carotenos que são responsáveis por sua cor avermelhada.

A indústria cosmética se interessa por este óleo. Eu fui vagarosamente criando uma rede de fornecedores de polpa no entorno da fazenda, e formamos um grupo que foi certificado como orgânico após diversas viagens à área pelos inspetores do Instituto Biodinâmico de Botucatu. Aos poucos, vou organizando o meu negócio para ver se consigo atingir a auto-sustentabilidade da propriedade. Por enquanto, ainda não deu!

vou pra fazenda!!!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Porque o Buriti????

Trabalhei durante catorze anos com a Aveda Corporation, fábrica de alguns dos melhores cosméticos do mundo, baseados em plantas, ecologicamente corretos... muito legal mesmo. Foi realmente a melhor experiência profissional que tive na minha vida. Viajei pela amazônia, sobrevoei as copas da floresta acreana... convivi com pajés, adquiri enorme respeito pelo povo Yawanawá... fiz grandes amigos, viagens internacionais... Foi muito bom. Pude ajudar muitas comunidades, abrir portas para muita gente, e exercer alguns dos meus talentos, tais como a energia que tenho pra fazer projetos andarem... Na realidade, a maioria dos talentos que tenho advém das coisas que aprendi fazendo cinema - disciplina, organização, planejamento - e da disposição que sempre tive para andar e apreciar o mato, as coisas da natureza, e as pessoas que vivem em contato direto com ela.

Esse meu trabalho envolvia tanto a procura de novos ingredientes para os produtos da empresa, quanto o estudo das dificuldades que as comunidades tinham em colocar estes produtos no mercado devido aos gargalos da produção em massa, industrializada, com todas as armadilhas que fazem com que os lucros fiquem na mão de intermediários, etc... Dessa forma, eu articulava comunidades com institutos de pesquisa e outras empresas, órgãos do governo, ONGs, etc.

Em 2001 a empresa foi vendida para uma multinacional, e eu passei a me reportar a uma americana ecologista cuja experiência se limitava à prefeitura de St. Paul em funções burocráticas. Essa moça, ou qualquer outra pessoa de nacionalidade americana, teria ficado muito famosa e rica na América se fizesse um trabalho parecido com o meu, em contato direto com as comunidades indígenas, etc. Isso gerou uma ciumeira danada, e eu confesso que não fui muito sábia: mesmo tendo ganho algumas vitórias iniciais, vivi até 2008 com uma pessoa sempre disposta a me derrubar na empresa. Uma boa lição essa: a única verdadeira vitória é aquela que acaba com o conflito... ganhar uma batalha não é vitória nenhuma...

Essa senhora ajudou a desestabilizar a liderança da tribo de índios para a qual eu trabalhava como forma de tentar "seqüestrar o nó da rede". Conseguiu substituir a liderança e eu me afastei de um projeto com a tribo indígena no qual eu trabalhei durante 10 anos. A mais difícil das minhas atribuições era ser uma espécie de bucha de canhão: por um lado evitar que a pressão política dos índios sobre a liderança forçasse as mesmas a utilizarem os recursos do projeto de forma diferente do que estava previsto pelas rubricas do projeto, ou seja, proteger o protejo. Por outro lado, quanto mais eu conhecia e aprendia sobre a tribo, mais percebia que haviam diferentes interesses em jogo dentro da aldeia, e havia opressão da elite sobre os mais pobres e fracos, e que o cacique tinha a difícil tarefa de equilibrar isso. Com a minha saída, a relação com a tribo ficou sem essa intermediação. O novo líder passou a fazer o que queria com os recursos e se transformou em uma espécie de déspota grotesco, dono da relação com a empresa americana, canalizando todos os recursos para o seu grupo... enfim. Essa outra longa história encontrará outra forma de expressão algum dia!

Levou 7 anos para que a moça conseguisse fazer com que a empresa me despedisse, e quando isso acabou acontecendo, ela, ironicamente, já se fora, despedida por ser meio conflituosa! Recebi uma espécia de aviso prévio de 4 anos, e me transformei, aos poucos, de consultora para fornecedora da empresa. Como eu sabia que havia uma demanda por óleo de buriti, procurei uma área onde pudesse produzir esse óleo. Cheguei a visitar áreas mais belas e charmosas como Barreirinhas, Parnaíba, etc. Mas acabei optando pela área que apresentava as facilidades administrativas: asfalto perto, proximidade com Teresina, etc.

Na verdade, a terra é que me encontrou. Eu vinha procurando tanto, tanto! Tinha viajado pelo interior do Piauí, procurado no litoral... De repente, um dia, vindo do trabalho com as quebradeiras de coco, passei pelo Brejinho e vi a placa de "vende-se". Estava com o Ronaldo, técnico agrícola da melhor qualidade, ligado ao Movimento, apesar de já ter estado na área com um amigo de Teresina. Mas foi com o Ronaldo que descobri o Buriti Doce, ou melhor, que o Buriti Doce me descobriu!
Caiu na minha cabeça... perfeita, com tudo o que eu queria: muito buriti, muita mata, e - eu nem sabia! - tinha também a capela abandonada em cima do morro!Acho, honestamente, que a terra foi me construindo de longe, malhando o ferro para ajustá-lo ao grito de ajuda que lançava, silenciosa, ao ar, enquanto um herdeiro bobo a abria aos lenhadores predatórios que devoravam tudo o que viam pela frente, para vender o metro cúbico de madeira a preço vil para olarias e padarias... Enfim, eu estou aqui! Com muitas saudades das florestas do Acre, mas aqui estou!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

a embalagem do arroz


Pra quem resolveu ser fazendeira porque detesta viver em um escritório, algumas notícias: Ser fazendeira envolve muiiiitttaaa burocracia! Estamos finalmente colocando o "bloco na rua", com nosso primeiro produto para a venda: as 5 toneladas de arroz integral! Olha como está ficando bonita a embalagem!

Enquanto meus amigos no Rio preparam a arte da embalagem, eu tive que correr atrás da classificação no Ministério de Agricultura (tipo, classe, subtipo, etc etc,) ler a legislação para saber quais as informações prtecisam ser incluídas, me registrar no GS1 para ter um código de barras... Isso depois de me registrar como produtora rural autônoma e passar por todo o processo de certificação orgânica.... Enfim... ter me mudado para Teresina onde moro em um loftzinho com banda larga e impressora 3 em 1, onde o celular pega, onde existem bancos... foi quase uma exigência da minha nova vida de fazendeira!

(Estou até gostando bastante. Os 10 meses que fiquei sozinha com o Seu Anísio na fazenda "deram". Mesmo sentindo a falta de estar mais próxima dos trabalhos, cansei de matar cobras e escorpiões sozinha a noite... e de atrasar contas por não ter telefone nem internet... Deu! Mas agora vou à fazenda de dois ou de três em três dias e fico lá nos finais de semana...)

Mas esta etapa está se concretizando. É complicado porque cada tipo de arroz tem que ter uma embalagem diferente pois as informações do Ministério têm de ser impressas, não podendo ser carimbadas... e as fábricas de embalagem só vendem quantidades monstras de sacos impresssos. Isso significa que um produtor precisa investir NO MÏNIMO 5 mil reais por TIPO de arroz antes de colocá-lo no mercado! Já imaginou quantos espíritos empreendedores não ficam caídos pelo caminho diante dese mercado construído para os grandes?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Estive na fazenda nos últimos dias, tentando reorganizar os trabalhos. Agora que o período mais intenso de trabalho terminou, estamos focando nas cercas que ainda faltam ser consertadas; nos aceiros (uma faixa de clareira contínua junto aos limites da fazenda para evitar que algum fogo de fora se alastre para dentro da fazenda) antes que cheguem as queimadas ... Mas tive que manter dois homens dos 10 que irão parar, construindo o galinheiro e para continuarem aspergindo os abacaxis com os extratos que estamos fabricando lá mesmo para resistirmos à fusariose.

Me reuni com Seu Anisio e os trabalhadores, com a assessoria de Luis Carlos, um jovem advogado amigo. Estamos finalmente formalizando as relações de trabalho com o pessoal. É justo, mas caríssimo. Dói pagar um INSS tão caro, sabendo que quem precisa desse serviço e dessa garantia social dificilmente terá um bom atendimento quando recorrer ao mesmo...

A maioria dos trabalhadores não entende porque quero fazer isso. Preferem trabalhar na diária. Esse universo dos benefícios sociais está distante deles. Deles todos, só um já teve carteira assinada há 20 anos atrás! Foi-lhes passado que quando se assina a carteira se dificulta a aposentadoria pelo sindicato! Imagine! Muito útil essa crença para os patrões... Mas dentro do nosso projeto precisamos estar com isso tudo em dia, tanto pelo selo de orgânico como pela coerência do que estamos propondo: promover o bem estar social através de relações de trabalho e comércio justas, em especial com a vizinhança.

Ficou acertado que Zé da Alda e Chico serão empregados com carteira assinada, e os outros terão contratos temporários nos períodos de mais trabalho. O Luís Carlos fez um excelente trabalho, me fornecendo modelos para diversas situações onde entro nesse tipo de relação com os trabalhadores.

terça-feira, 22 de julho de 2008

A tal da fusariose

Depois de ter "movido montanhas" e ter superado tantas dificuldades no ano do Saturno... depois de ter gasto tudo o que juntei em anos de trabalho para plantar meus 10 hectares de urucum e abacaxi, surge a suspeita de que os abacaxis estão contaminados com o mais terrível dos fungos que atacam o abacaxi. Terá sido em vão?

Estamos às voltas com os preparos para tentar resistir ao ataque de fusariose. Já aplicamos mijo de vaca uma vez e encomendei mais... Para quem não sabe, o mijo da vaca leiteira é simplesmente um dos melhores fortificantes naturais para as plantas, e combate fungos. possui uma enormidade de minerais (N,P,Ca,Mg,S,Fe,Mn,Cu,Zn,B) e faz com que as frutas fiquem mais doces... Não é uma maravilha da natureza?

Agora vamos aplicar o extrato do barbatimão, planta que Seu Anísio detesta por ser tão nociva aos animais ruminantes. Acreditam que ela mata os animais porque suas sementes tem tamanho poder germinativo que nascem no estomago e intestino dos pobres, crescendo rapidamente?

Tenho tido um enorme suporte por parte de diversos cientistas amigos e interessados por toda a parte....Viva a internet! Essa receito do barbatimão, por exemplo, foi testada pela Embrapa do Rio Gde do Norte e eles afirmam que a eficácia, no experimento deles, foi idêntica à do produto industrializado, reduzindo a infestação à 7% no campo... então lutaremos!

Mas vamos também utilizar outros fungicidas naturais como a Lippia Sidoides, planta de estimação do meu grande e querido amigo, Professor Matos, da Universidade Federal do Ceará. Como ele a descobriu na natureza, essa planta parece ser sua... é um espécie de amor antigo, e as muitas utilidades que apresenta irão com certeza ganhar o mercado em grande escala, em breve. No ceará utilizam-na até para promover a assepsia em salas de cirurgia! Com isso, as múltiplas famrácias vivas que atendem à população pobre do Ceará, poupam muitos milhares de reais é, tanto para as cirurgias como para o tratamento de pequenas mazelas como o chulé, o cecê, a caspa... Enfim... temos uma receita da Lippia aplicada junto com manipueira, para combater a fusariose também. Os grandes laboratórios que se cuidem!

Agora pasmem... liguei pra quem me vendeu as mudas. Um senhor bastante honesto, religioso, pais de meu aluno na UEMA de Caxias... A minha proverbial capacidade de ler as pessoas não me engana. Esse homem é bom e honesto. Ele me diz que suas plantas NÃO ESTÃO CONTAMINADAS. O que isso significa? A moça da Embrapa, a fitopatologista, disse que identificou a fusariose... que só poderia vir de lá. Lá, as plantas estão saudáveis... Será que ela se enganou> Será que esse meu pânico é em vão?

Detesto isso. Me remete a algumas situações que já vivi junto com minha família, em especial minha mãe, que sempre que tem algum problema de saúde tende a consultar tantos médico que acabamos ficando perdidos, sem ter certeza de qual direção tomar... Acho que vou pedir para ela repetir o exame....

depois escrevo mais. Vou aprender a colocar fotos no blog também.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

tentando pegar o rítmo

Não tenho dúvidas de que chegou a hora de escrever... o ritmo do meu cotidiano continua louco demais, e não pego o ritmo da escritura... Mas estou pra estourar, e se não começar a escrever não sei onde vou encontrar a válvula de escape de que preciso agora...

Como tentar explicar o que estou vivendo? Como explicar que sou uma mulher carioca de 51 anos que se mudou para o Piauí, para tocar uma fazenda no interior do Maranhão...?? Larguei minha família linda. Que família linda, meu Deus.... A casa enorme e maravilhosa que construí em Niterói para viver com essa família linda... e vim tocar uma fazenda no Nordeste.

Não sou agrônoma. Sou antropóloga. Andei muito bem empregada até o mês passado... Fui consultora de uma empresa de cosméticos americana (Aveda) que me pagou para viajar pelo interior do Brasil e pesquisar matérias primas naturais que incorporasse em seus cosméticos. Com isso vivi os melhores anos de minha vida profissional... conheci a floresta acreana, trabalhei por dez anos com a tribo Yawanawá, com as quebradeiras de coco de Maranhào, com o Professor Matos no Ceará, que luta pela democratização da saúde no Brasil... Mas há 5 anos, a empresa foi vendida para uma multinacional americana, deixando de ser uma empresa familiar que pertencia a um homem - um amigo excêntrico em quem sempre confiei. Desde entào entrei em um processo de saída, de afastamento. Usei da flexibilidade e jeitinho brasileiro para nào sair, mas investindo bem pouco no trabalho. mas meu coraçào nào estava mais nesse emprego. Foi o aviso prévio mais longo de que tenho notícia! Uma acomodação das partes. Eles, sabendo da importância do trabalho que fiz para eles, foram me substituindo por partes, sem apelar para confrontações abertas, só me excluindo paulatinamente... Eu, fiz meus documentários, construí a estrutura básica da fazenda... Não tenho de forma alguma como reclamar. Aprendi muito, tive a oportunidade de encontar o meu destino através deste emprego. Conheci o Brasil. Conheci o movimento social. Pude contribuir com a luta de várias famílias por uma renda digna.

Foram anos de minha vida nos quais ganhei o suficiente para ajudar minha família a viver com dignidade. Investi bastante na família: construí a casa de Niterói, estruturei a Buriti Doce no que tem de básico. Agora, é à vera. Sem salário, vamos ter que tocar o projeto de forma que ele se sustente.

Isso dito, vou me referir a algumas questões imediatas, para me dar a chance de introduzir aos pedaços essa montanha excessiva de experiências internas, emocionais, afetivas, que me sequestraram nos últimos anos... ou sempre talvez?

A novidade é que escrevo em público. Um cyber público, que praticametne não existe, não ser que convocado, ou será "invocado" como se invocavam os Deuses no passado da antiguidade?

Então.... consegui, com muita luta, plantar 12 hectares de urucum e abacaxi na Buriti Doce. Deposi explico passo a passo como isso se deu. Por hoje vou deixar registrado que descobriram o fungo da fusariose, o pior de todos os males, nesse abacaxi plantado. O abacaxi que representou um endividamento muito desconfortável, em um momento muito delicado. Com isso, minha cabeça está, como se diz na minha terra, "na unha do pé". A sensação é a de condenação... lutei tanto, tano... e é possível que tenha sido tudo em vão. O dinheiro que talvez eu consiga com o maravilhoso arroz integral que colhemos, ao invés de ser um prêmio, algo a mais, servirá, quando muito, para que eu pague a dívida que ficou do plantio do abacaxi. E se perder o abacaxi, terá sido tudo em vão.

Em vão, o ano mais difícil de minha vida Mas agora não tenho energia para descrever tudo o que se passou. Só tenho a energia para dizer que fiquei muito abatida com isso.

Mas resolvi lutar. Ante-ontem me toquei que ao invés de sossobrar ao léu como uma madeira de naufrágio, vou lutar. Isso me deu energia para sair correndo pela cidade e pela inernet em busca de soluções aceitáveis para um projeto orgânico certificado, que não pode usar agrotóxicos.

É DESTE PONTO QUE ESSE BLOG NASCERÁ.

A Fazenda Buriti Doce é um projeto agroecológico...

domingo, 1 de junho de 2008

Vamos lá, então...

Tenho estado em tantas situações de encruzilhada que resolv iniciar um diário. Chamam de blog hoje em dia... Não sei ainda como isso funciona... assim, vamo com calma. Mas vamos então...

Ficará à vista, vizivel para todos na internet? é público... então nada de temas confessionais...

Acho que devo me concentrar no que estamos construindo na fazenda, talvez...

Deixa ver.. acho que vou mudar o título e chamá-l de diário do buriti doce...