
O buriti sempre me impressionou, durante as longas viagens de canoa pela amazônia ou pelo interior do nordeste, pelo porte majestoso, pela altura, pelo colorido espantoso dos frutos... Mas também existe alguma coisa de íntima na forma como as folha secas se acumulam em torno do tronco, sob a copa viva: pendões antigos, tranqüilos... É como a majestade de uma mulher velha, que retem sua feminilidade, sua força de rainha... E também há a relação de proximidade e dependência com a água, elemento que forjou a minha identidade de menina... eu "era" a água, diante dos oceanos das praias cariocas, dos riachos e cachoeiras cristalinas e frias da mata atlântica do meu Estado... As nuvens carinhosas que abraçavam os cumes das montanhas rochosas da Serra dos Órgãos eram finas e meigas como a minha sensibilidade e a chuva torrencial eram as minhas emoções fortes. Eu "era" a água, enquanto descobria quem era nessa terra de meu Deus!!!
Tive o privilégio de acompanhar uma equipe de biólogos em uma longa viagem pelo entorno dos lençóis maranhenses, e colhi diversas entrevistas que indicavam que os buritis foram manejados, plantados por famílias que habitavam a região desde a seca cearense de 1912... usaram este dado como indicador de datação de presença humana para garantir a permanência destas família na terra durante a demarcação do Parque Nacional dos Lençóis. Casinhas totalmente feitas de talos e palha dessa palmeira... Um artesanato tradicional belíssimo que o SEBRAE agora se empenha diligentemente em "modernizar", transformando em atividade comercial... Da forma como se fazem os laudos antropológicos, o testemunho, a história levantada através dos depoimentos, servem como prova. Mas seja a distribuição do Buriti por todo país antropogênica ou não, temos essa palmeira rainha por todos os grotões brasileiros...
Agora... esses frutos possuem uma camada fina de mesocarpo (polpa) que a população local raspa em agradáveis mutirões de muita conversa, nos meses de chuva... essa polpa possui o mais alto conteúdo de pró-vitamina A encontrado na natureza(18.339 microgramas de retinol por 100 gr de óleo). Também é muito rico em vitamina E, C, B1, B2 e PP antioxidantes, etc. Seus ácidos graxos tem alto teor de ácidos oleicos e insaturados, tocoferóis e carotenos que são responsáveis por sua cor avermelhada.
A indústria cosmética se interessa por este óleo. Eu fui vagarosamente criando uma rede de fornecedores de polpa no entorno da fazenda, e formamos um grupo que foi certificado como orgânico após diversas viagens à área pelos inspetores do Instituto Biodinâmico de Botucatu. Aos poucos, vou organizando o meu negócio para ver se consigo atingir a auto-sustentabilidade da propriedade. Por enquanto, ainda não deu!
vou pra fazenda!!!

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